domingo, 26 de abril de 2015

Acessando o SQLite a partir de uma PCL e uma aplicação Windows Phone 8.1

Recentemente precisei acessar o SQLite a partir de uma Portable Class Library, por sua vez acessada por uma aplicação Windows Phone 8.1.

Passei por um bom perrengue até conseguir colocar a coisa toda pra funcionar e por essa razão decidi documentar o passo a passo para a solução final. Segue abaixo:

1) No assembly PCL em que você deseja acessar o SQLite, referencie o pacote NuGet "SQLitePCL.raw_basic". Este pacote fornece acesso ao SQLite sem conter o SQLite em si e portanto é independente de plataforma, podendo ser usado numa PCL. Ele não será usado em tempo de execução, mas permitirá que sua solução compile sem problemas.

2) Ainda no mesmo assembly, referencie o pacote "SQLite-net PCL". Esse pacote é quem fornece a API .NET que você utilizará para acessar o SQLite, como o objeto SQLiteConnection, por exemplo. Internamente, ele acessa o "SQLitePCL.raw" que é o pacote que de fato acessa a 'sqlite3.dll'.

3) No projeto que irá consumir a sua PCL, referencie o pacote NuGet "SQLitePCL.raw". Esse pacote vem com versões específicas para cada plataforma e apenas aquela referente à plataforma do seu projeto será utilizada. É este também o pacote que trás consigo a biblioteca 'sqlite3.dll'.

4) Por alguma razão que não consegui descobrir qual seja, ao compilar e executar o projeto neste ponto, quando tudo já deveria estar funcionando, o runtime informa que a 'sqlite3.dll' não pode ser carregada, mesmo ela estando presente junto aos binários do projeto. A forma como resolvi esse problema foi adicionar, e em seguida remover, uma referência ao pacote oficial do SQLite para Windows Phone 8.1. É necessário remover a referência após adicioná-la pois caso contrário o compilador irá reclamar de duplicidade da biblioteca 'sqlite3.dll', presente nessa extensão, com a outra, disponível no pacote "SQLitePCL.raw". Após esse 'recurso técnico' ser aplicado, tudo parece passar a funcionar sem problemas, mesmo após apagar completamente os binários do projeto e compilar novamente (sem repetir a gambiarra com o pacote oficial).

Escrevi uma breve aplicação para ilustrar essa solução.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Windows Nano Server - A maior evolução para o DevOps Microsoft

O grande gargalo para o uso de sistemas Windows em ambientes de nuvem e para uma boa infraestrutura de DevOps fora do Microsoft Azure é sem dúvida o footprint gigantesco do sistema. Manter uma maquina virtual onde apenas processos de backend precisam ser executados demanda a instalação do sistema operacional completo, incluindo ferramentas gráficas e tudo que as suporta, algo completamente desnecessárias nesse tipo de cenário. 

Atualmente, para preparar uma maquina Windows Server precisamos de cerca de 32GB de espaço em disco, com sorte, o que torna praticamente inviável o uso do sistema em muitos cenários, levando à preferência por ambientes mais leves e modularizados, casos das inúmeras distribuições Linux que temos hoje dominando os ambientes de nuvem e containers.

No entanto, neste último dia 8 de Abril, a Microsoft anunciou o desenvolvimento do Windows Nano Server, uma versão reduzida do sistema operacional, contendo apenas aquilo que é de fato necessário para a execução de uma infraestrutura de nuvem, removendo totalmente sua interface gráfica e demais funcionalidades desnecessárias. Com isso o footprint do sistema caiu expressivos 93%, o que nos leva a crer que poderemos ter uma maquina Windows Nano Server, totalmente viável para a execução de sistemas de backend, com razoáveis 2,3GB de espaço em disco, talvez até menos.

Isso torna viável também o uso do Windows Nano Server com Vagrant e, segundo a Microsoft, até Docker, simplificando absurdamente a criação de ambientes de DevOps para softwares desenvolvidos para a plataforma .NET, principalmente considerando o desenvolvimento do novo .NET Core 5 e ASP.NET 5, também bastante reduzidos em tamanho e muito melhor modularizados, se comparados às versões atuais.

A partir do lançamento desse novo sistema, com pouco investimento, será possível a distribuição e gestão do ciclo de vida de serviços de backend executados sobre a plataforma .NET e Windows em ambientes como o IBM BlueMix, ou Amazon AWS, de forma tão prática quanto é feita hoje para sistemas Java executados sobre uma distribuição Linux.

Essa foi sem dúvida a melhor notícia dos últimos tempos para desenvolvedores .NET e administradores de infraestrutura Windows. Ansioso para ver tudo isso funcionando na prática. Que 2016 chegue logo.

Atualização: Na Build 2015, foi anunciado que o Nano Server tem uma imagem de cerca de 400MB, contra quase 5GB da versão Server Core, a menor disponível atualmente. Além disso, o sistema gasta cerca de 40 segundos para ser instalado, 15 segundos para ser inicializado e ocupa apenas 63MB de memória. Números realmente impressionantes, mesmo em comparação ao atual Server Core.

Vejam mais detalhes em:

sábado, 29 de novembro de 2014

Resista à tentação de criar seu próprio monstro.

Há algum tempo falei aqui sobre a sindrome do arquiteto astronauta, e retomo o tema hoje.

Caso você seja um arquiteto de software, ou tenha tendências a se tornar um, provavelmente está nesse momento implementando ou criando em sua mente algum SeiLaOQueFX, aquele framework que irá satisfazer a tara que todos nós temos por reuso, coesão, simplicidade. Simplicidade? Sim, ao menos é o que normalmente pensamos.

Com o SeiLaOQueFX você e os demais programadores da sua equipe não terão mais dificuldade em implementar um processo de negócio qualquer, poderão se abstrair dos requisitos não-funcionais e focar apenas no que interessa ao negócio. A produtividade da equipe será foda, ninguém mais precisará repetir código, reimplementar padrões, ter que conhecer tais padrões, pra começo de conversa.

Claro que o fato de todo mundo agora ter que conhecer o SeiLaOQueFX mais que qualquer coisa que já estudou ou usou na vida é um mero detalhe, e você está ali para resolver qualquer problema. O fato de você reescrever todas as rodas e engrenagens possíveis também é só outro detalhe. É necessário, afinal o que tem por ai para ser reutilizado é genérico demais e não é bom o suficiente para satisfazer nossa tara por reuso.

Mas aqui vai o que lhe espera, e não negue esta verdade, será pior pra você: Riscos, risco em toda parte. E alguém pagará a conta; se não for você, será sua equipe, ou seu empregador. Sua satisfação inicial em criar o tão sonhado SeiLaOQueFX dará lugar a um sentimento de frustração, de impotência, afinal o fracasso não será culpa sua. E neste ponto não estou sendo apenas irônico. Provavelmente não será mesmo. Mas contará com a sua conivência em todo caso.
Mas o que fazer para não cair nessa armadilha, e não ser um eterno frustrado por nunca ter dado vida ao SeiLaOQueFX?

Uma primeira alternativa é fazer isso fora do trabalho. Se é tão importante pra você, você encontrará tempo. Isso evita que você comprometa seu emprego, sua equipe e seu empregador com os vários riscos que um framework escrito do zero traz.
"Mas sem o SeiLaOQueFX meu trabalho será tedioso, repetitivo, ineficiente". Provavelmente, pois é justamente isso que nos leva a querer ser pai de uma criatura como esta. Mas há outra motivação, interna e quase sempre negada, para fazermos isso. A preguiça. Isso mesmo, preguiça. Palavra forte, mas é o que acontece. Desenvolver nosso próprio EntityFramework, nosso próprio ASP.NET MVC, nosso próprio WCF é sempre mais motivador que aprender a usar estes aí.

Mas é aí que os riscos entram em cena. Todos sabemos que nunca temos à nossa disposição o prazo que precisamos para fazer o trabalho como queremos. Além disso, nosso empregador está pouco se lixando para o SeiLaOQueFX; o que interessa pra ele, e ele está certo em pensar assim, é o produto que ele está lhe pagando para entregar aos clientes dele. Com um framework desenvolvido do zero, inúmeros problemas inerentes ao framework, e não ao software que o utiliza, precisarão ser resolvidos, e quando estes problemas surgirem, não adianta ir tentar explicar ao seu empregador que o SeiLaOQueFX é foda e precisa de mais tempo. Você não está sendo pago para desenvolver frameworks, está sendo pago para desenvolver produtos de software e o desenvolvimento do SeiLaOQueFX está por sua conta e risco. Resultado: Gambiarras. Gambiarras em toda parte. Como você não tem tempo para aplicar o seu brilhantismo e resolver os problemas do seu framework com dignidade, você o fará sem dignidade mesmo, e a culpa é do seu empregador, que não lhe deu tempo pra isso. Portanto, ele que se ferre com a perda de qualidade.

Nesse momento sua equipe estará entrando em colapso. Muitos não irão mais querer usar aquilo que você diz que eles tem que usar e alguns pularão do barco até; outros seguirão paralisados, com uma produtividade cada vez mais baixa. Por fim, tudo aquilo que você sonhou como produto do SeiLaOQueFX se manifestará com sinal invertido, e em um nada belo dia você brigará com todos, discutirá com seu empregador e seguirá seu rumo; irá para algum lugar onde seu brilhantismo seja reconhecido. E ai, ai ferrou pra quem herdou a criança. Sua reputação estará manchada e no fundo você saberá que enfiou os pés pelas mãos, embora dificilmente admita.

Portanto, resista à tentação de criar seu próprio monstro.



sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Obtendo sucesso com Arquitetura de Microserviços

Muito tem-se falado em Arquitetura de Microserviços recentemente. Resumidamente, trata-se de um estilo arquitetural em que a lógica da aplicação é dividida em pequenos (micro) serviços os quais podem ser escalados e distribuídos independentemente. Parece simples, mas na prática surgem inúmeras dúvidas sobre como interpretar cada um dos conceitos envolvidos e como implementar cada um deles.
Neste artigo darei algumas dicas baseadas na experiência positiva que tenho tido com a implementação desse estilo nos últimos tempos.

Primeiramente, não se trata de integração de aplicações. Microserviços não é SOA. É muito parecido, mas não tem o mesmo objetivo. Está mais para objetos distribuídos de um mesmo sistema do que para integração de diferentes sistemas, embora os mecanismos usados para a integração entres esses 'objetos' seja muito mais semelhante aos usados em SOA que aos usados em estratégias convencionais de objetos distribuídos, como CORBA, EJBs ou .NET Remoting.

Em segundo lugar, também não se trata de objetos distribuídos tradicionais. Não pense em criar seus objetos de modo que possam ser usados tanto localmente quando de modo distribuídos e deixar alguma infraestrutura de comunicação tomar conta da integração entre eles. Isso é lento e foi o que deu a fama negativa que as tecnologias citadas no paragrafo anterior tem no que se refere a performance.

Se não são aplicações distintas, nem objetos comuns de uma única aplicação sendo integrados, o que são portanto esses microserviços?

Quando iniciei minha experiência com esse estilo arquitetural, o termo Arquitetura de Microserviços ainda não me havia sido apresentado, portanto não precisei me preocupar em seguir uma definição ao pé da letra para poder dizer que era isso o que eu fazia. E isso vale para quem já conhece os termos. Padrões servem para nos apontar o caminho, não para serem seguidos como religiões. Mas voltando ao meu caso, só percebi que o que eu havia construído era aderente a esse estilo depois que já estava quase tudo pronto. Foi um processo bastante natural e como fui guiado pelos mesmo requisitos arquiteturais que levaram à definição do termo Arquitetura de Microserviços, minha implementação já nasceu naturalmente aderente a ele.

A resposta para a última pergunta, no meu caso, veio da metodologia conhecida como Domain-Driven Design (DDD). Embora possa parecer àqueles que a desconhecem que tal metodologia trate apenas de técnicas para organizar objetos de domínio, ela é muito mais que isso. DDD é por si só um estilo arquitetural, o qual define a estrutura de toda a aplicação, não apenas dos objetos de domínio.

Um dos conceitos mais importantes em DDD é o conceito de Serviço de Aplicação. Um Serviço de Aplicação tem a função de coordenar tarefas recebidas de um cliente externo, seja uma IHM ou outra aplicação/serviço, orquestrando a interação entre seus objetos e serviços de domínio, e por fim consolidando o resultado da operação solicitada. As operações executadas por um Serviço de Aplicação devem ter início e fim, sem depender de outros Serviços de Aplicação. E embora um serviço de aplicação possa realizar diferentes funções, cada uma delas deve ser muito bem definida, bem de acordo com o princípio da responsabilidade única, além é claro de estarem de algum modo bem relacionadas.

Dessa forma, uma vez que recebida uma solicitação e um conjunto de dados de entrada, um Serviço de Aplicação irá realizar a função solicitada por completo e produzir um resultado também completo. E isso é exatamente o que precisamos ter em um Microserviço para que ele não nos traga problemas. Na solução a qual me refiro neste artigo, cada função de um Serviço de Aplicação foi implementada como um Microserviço*. Sendo assim, um Serviço de Aplicação não era pra mim uma unidade computacional única, mas sim um agrupamento lógico de Microserviços intimamente relacionados**. Desse modo, cada Microserviço poderia residir em sua própria unidade computacional ou compartilhar uma mesma unidade computacional com demais microserviços que escalassem de maneira semelhante.

No caso de uma aplicação .NET, uma unidade computacional pode ser criada como um Windows Service, por exemplo, enquanto que um Serviço de Aplicação poderia ser composto por uma Class Library contendo os Microserviços que representam suas funções. Já em Java a unidade computacional poderia ser um WAR enquanto que o Serviço de Aplicação poderia ser um simples JAR, apenas para contextualizar.

Mas como seria feito o acesso a esses Microserviços? Para serviços consumidos diretamente por uma página WEB, uma API Web, no formato REST, seria uma boa escolha, no entanto a maior parte dos serviços de um sistema desenvolvido sobre uma Arquitetura de Microserviços só terão interação com outros serviços de backend. Imagine por exemplo uma função de cálculo extremamente complexa e composta por inúmeras etapas. Um primeiro serviço poderia receber a solicitação através de uma página web, via API Web, e então iniciar a primeira etapa do processo de cálculo. Ao concluir essa etapa, o Microserviço que a realizou publicaria o resultado e se colocaria novamente à disposição para o recebimento de outras solicitações. Nesse momento, um segundo Microserviço, responsável pela segunda etapa do cálculo, receberia o resultado publicado pelo primeiro Microserviço e executaria a segunda etapa usando o resultado do primeiro como insumo, por fim publicando o seu resultado para que possa ser usado por um eventual terceiro Microserviço, até que todo o processo de cálculo esteja concluído. Eventualmente a página WEB receberia uma resposta contendo o resultado do cálculo e notificaria o usuário.

Nesse momento chegamos a um ponto extremamente importante. A integração entre Microserviços é quase sempre assíncrona e desacoplada. Um Microserviço deve publicar seu resultado e esquecer dele. Alguém irá recuperá-lo em algum momento e fazer bom uso dele, mas o Microserviço não deve se preocupar com isso, ou aguardar um reconhecimento do Microserviço que porventura dará continuidade a seu trabalho. Microserviços são como aquele colega de trabalho que você um dia teve, que faz a sua parte do trabalho e diz um foda-se para o restante da equipe. E é isso que garante sua alta disponibilidade, sua robustez, e permite que ele seja facilmente substituído caso necessário.

Para alguns casos no entanto, como o caso do primeiro serviço desse nosso exemplo, que recebeu a solicitação da página WEB e deve devolver uma resposta a ela, pode ser necessário aguardar o término do processo por algum tempo, ou considerar que ele falhou. Ou pode-se também iniciar um outro serviço que terá como única função notificar a página WEB quando todo o processo tiver terminado, de modo que o primeiro serviço irá responder à página WEB de imediato, informando apenas que recebeu e encaminhou sua solicitação para que fosse processada. Em todo caso as características marcantes são a assincronia e o desacomplamento.

Okay, mas como realizar esse troca de mensagens entre esses malditos Microserviços? A resposta no meu caso foi o padrão publish-subscribe, implementado através de um Middleware de Mensageria, sobre o padrão AMQP.

Acredito que eu já tenha escrito demais por hoje. Se você chegou até aqui é porque se interessa pelo tema, e estou a disposição para falar mais sobre o assunto. Deixe suas dúvidas ou sugestões no campo de comentários abaixo que procurarei responder, diretamente ou em forma de um novo artigo.

* Atenção ao fato de que me refiro a funções dos Serviços de Aplicação, as quais possuem uma granularidade bastante grande. Modelar funções de Objetos ou Serviços de Domínio como Microserviços seria voltar aos tempos dos objetos distribuídos, e voltar a ter os problemas de desempenho característicos destes.

** E antes de dizer que não é isso que dizem os livros do Evans ou do Vernon, lembrem-se que padrões são guias, não religiões.

Artigos Recomendados:
https://rclayton.silvrback.com/failing-at-microservices
http://highscalability.com/blog/2014/4/8/microservices-not-a-free-lunch.html

quinta-feira, 24 de abril de 2014

TDD está morto?

Nesta semana o chão estremeceu após a declaração de David Heinemeier Hansson (@DHH), autor de livros como Getting Real, Rework, Remote, além do framework Ruby On Rails e do Basecamp, postada recentemente em seu blog, de que para ele TDD está morto. O texto original pode ser encontrado aqui.

Nos últimos anos quem busca estar sempre atualizado com as práticas modernas de desenvolvimento de software tem ouvido sempre que praticar TDD, ou seja, escrever testes unitários antes de escrever o código que será testado, deve ser uma prática obrigatória para se garantir a qualidade do trabalho realizado. Livros e livros foram escritos sobre o assunto, e provavelmente alguns mais ainda serão.

O desenvolvimento utilizando TDD é conceitualmente simples: Para cada método público que pretende escrever em cada uma das entidades que compõem seu software, escreva antes um ou mais testes unitários que entreguem a esse método algumas combinações de parâmetros de entrada, o executem e por fim verifiquem se o resultado de sua execução é aquele esperado para cada um dos conjuntos de parâmetros informados. Faça isso escrevendo primeiro os testes, em seguida, antes mesmo de escrever o conteúdo do método a ser testado, execute os testes para garantir que eles não estão indicando um falso positivo, em seguida escreva apenas o mínimo de código necessário para fazer com que aquele teste passe e por fim refatore o código para torna-lo mais claro e/ou eficiente. Ao terminar essa refatoração seus testes passaram novamente e você terá um indicador para lhe dizer caso alguém faça uma besteira e acabe alterando o comportamento do seu método.

Tudo muito lindo, até se colocar em prática. Na prática, é muito difícil determinar o que testar, além de a arquitetura e o desenho do software mudarem bastante à medida em que sua implementação evolui. E quanto mais granulares os seus testes, mais difícil será mantê-los atualizados. Sem falar no inferno de mocks, fakes e stubs que acabam sendo necessários para permitir que apenas aquele método, aquela unidade de código, esteja de fato sendo testada naquele momento, e não tudo que é executado como dependência a partir dela.

Diante dessas dificuldades, muitos desistem do TDD. Creio que a maioria desista, por elas e pela falta de disposição em aprender e treinar o calhamaço de novas habilidades necessárias para se praticar TDD. Em Janeiro de 2012 o maior advogado do TDD, Uncle Bob (@unclebobmartin), autor de livros como PPP, Clean Code e The Clean Coder, escreveu um artigo em que falava justamente sobre a mudança de posicionamento necessária ao desenvolvedor para que ele pudesse finalmente virar o bit e se tornar um praticante de TDD. Esse artigo pode ser visto aqui, e é um interessante contraponto ao que foi apresentado ontem pelo David.

Pelo que já coloquei acima, já da pra perceber que minha posição se assemelha mais à posição do David nesse caso. Sempre fui extremamente pragmático, e escrever quilos e quilos de mocks e testes para verificar o comportamento de um método que em poucos dias provavelmente nem existirá mais nunca ganhou minha simpatia. Estudei muito a respeito, ainda tenho livros na minha estante sobre o assunto que lerei em breve, mas nunca consegui assumir essa prática (TDD) como uma religião, como muitos tem feito e advogado que deve ser feito. No entanto, assim como David, não me coloco no outro extremo, não sou de modo algum um Programmer Motherfucker que quer apenas escrever código do jeito que bem entender, sem critério algum por que é isso que fazermos, programar. Não estaria me dedicando a este blog agora se fosse esse o caso.

A saída pra mim foi encontrada na verdade em um irmão mais novo do TDD (Test-Driven Development) o BDD (Behavior-Driven Development). Ao qual tenho me referido bastante ultimamente como Especificação por Exemplo.

Após Dan North (@tastapodintroduzir a técnica denominada BDD, muitos afirmaram que BDD não seria mais que TDD feito da forma correta, e a forma correta nesse caso seria dar ênfase ao comportamento a ser apresentado pelo software a ser testado, e não a um único método, uma única unidade de código. Neste link e neste link vemos respostas de Uncle Bob a esse tipo de afirmação.

Dando ênfase a um comportamento, favorecemos a modularização, damos um norte ao desenvolvedor, que pode ter liberdade para criar o desenho do software, tendo como parâmetro o comportamento descrito. Tal comportamento pode ser definido por ele mesmo, ou em conjunto com outros envolvidos, como testadores e analistas de requisitos, mas será no fim parte do código fonte do sistema, será compilado, traduzido para código e testado, num ciclo muito semelhante ao ciclo do TDD, no entanto sem a ênfase absurda à unidade. Serão testes maiores, mais lentos, integrados, embora não necessariamente end-to-end. É uma técnica que com certeza vale a pena conhecer. Obtém-se muitas das vantagens do TDD, sem trazer consigo a maioria de seus problemas.

Enfim, não vou me estender demais. Queria apenas aproveitar a polêmica do momento e escrever esse texto contrastando as duas técnicas e expondo minha posição a respeito do uso de TDD.

Recentemente fiz um trabalho acadêmico sobre o assunto: Melhorando a Eficiência no Desenvolvimento de Software através da Aplicação de Técnicas de Especificação por Exemplo. Tal trabalho pode ser encontrado aqui.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Módulos de Negócio vs Módulos de Infraestrutura

Módulos de Negócio versus Módulos de Infraestrutura. Essa é uma das discussões que me deixam mais empolgados quando o assunto é Arquitetura de Software. Mas antes de mais nada, uma breve revisão sobre o que são Módulos.

Um Módulo de Software pode ser visto como uma peça de software que implementa uma determinada especificação e realiza um determinado trabalho conforme especificado. Tais módulos podem ser compostos por um arquivo, uma classe, uma DLL, ou até mesmo um conjunto de DLLs, dentre outras possibilidades, desde que em conjunto esses artefatos implementem uma dada especificação e realizem um determinado trabalho conforme especificado.

Sempre que falamos em Módulos de Software, é comum alguém fazer a comparação com Módulos de Hardware, e gosto bastante dessa comparação. Um módulo de hardware, um componente eletrônico normalmente, pode ser facilmente substituído por um outro semelhante, desde que este outro implemente as mesmas especificações. Os demais módulos que interagem com aquele que for substituído se quer perceberão a mudança. E este seria o Santo Graal da modularização de software, poder simplesmente remover um módulo e substituí-lo por outro que implemente a mesma especificação, sem que os demais módulos reclamem da mudança.

Infelizmente isso ainda é uma realidade pouco comum. Arrisco dizer que a grande maioria das aplicações desenvolvidas no país, ainda que considerando apenas a pequena amostra a que tive acesso, são mal modularizadas e acabam mantendo um alto acoplamento entre seus módulos. E isso prejudica não apenas a possibilidade de fazer substituições de uma implementação por outra, algo que apesar de muito bonito não é tão necessário assim, mas também a definição das fronteiras do escopo de cada módulo, e é ai que está o grande prejuizo em modularizar mal uma aplicação.

De volta ao tema desta postagem, vamos supor que estamos trabalhando no desenvolvimento de um sistema em que há uma boa modularização, em que o papel de cada módulo está bem definido, o acoplamento está baixo e as fronteiras entre os módulos muito bem definidas.

Se tivermos essa realidade, será fácil identificar a separação entre Módulos de Negócio, aqueles que implementam exclusivamente funcionalidades específicas do negócio que está sendo automatizado pelo software, e Módulos de Infraestrutura, que implementam funcionalidades de suporte, drivers de acesso a bancos de dados ou sistemas de mensageria, ferramentas de log e auditoria, gerenciamento de usuários e tantas outras que estarão presentes, sem muita variação, em praticamente toda aplicação que viermos a desenvolver.

Módulos de Infraestrutura são componentes genéricos, reutilizáveis, que podem ter seu desenvolvimento e manutenção totalmente desacoplado dos sistemas que os utilizam. E ai está a grande vantagem em sermos capazes de fazer essa distinção. Quando baixamos um módulo como o Json.NET ou o FluentAssertions através do NuGet, recebemos uma peça de software pronta que apenas consumiremos. Por que não pode ser assim com os Módulos de Infraestrutura desenvolvidos pela própria equipe que consome esses módulos desenvolvidos por terceiros?

Pense que há na empresa em que você trabalha, e não há porque não haver caso você desenvolva aplicações .NET, um repositório NuGet privado, assim como uma política de Gestão de Reuso que defina que todo Módulo de Infraestrutura deva ser desenvolvido de modo independente das aplicações que os consomem, e que devam ser disponibilizados neste repositório uma vez que atinjam uma versão estável. Isso permitirá que esses módulos sejam utilizados pelas equipes de desenvolvimento da empresa, incluíndo as equipes que os desenvolveram, pois estas também deverão consumí-lo através do repositório NuGet, e não através de referências diretas a projetos da mesma solução.

Num cenário como este, teriamos uma solução limpa, composta apenas por Módulos de Negócio se referenciando entre si e consumindo, via NuGet, os Módulos de Infraestrutura que precisam.
Pensem nas possibilidades que um cenário como esse lhe proporcionaria. Pense em possibilidades como abrir alguns desses módulos como projetos Open Source, ganhando a contribuição de desenvolvedores de todo o mundo. Ou a vantagem de poder vender a seus clientes apenas o que realmente precisa e deve ser entregue exclusivamente a esses clientes: seus Módulos de Negócio. Afinal, se você pode consumir componentes de terceiros não relacionados ao negócio do seu cliente sem ter que fornecer a ele a propriedade sobre o código desses componentes, por que não poderia fazer o mesmo com o código dos Módulos de Infraestrutura que você mesmo desenvolve?

Por hoje era isso! Deixem suas opiniões nos comentários.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

.NET Native

Recentemente tenho conversado com alguns colegas sobre as impressões que tenho tido ao ler Advanced .NET Debugging, livro que recomendo a todo desenvolvedor .NET que queira realmente entender como o framework funciona (mas ressalto que há uma nova edição no forno, do mesmo autor mas com outro nome, .NET Internals and Advanced Debugging Techniques).

Resumidamente, após entender como .NET funciona de verdade, analisando suas entranhas, percebemos que trata-se basicamente de um Assembly Loader, um JIT Compiler e um Garbage Collector (claro que estou sendo bastante simplista, mas é basicamente isso). Após carregados e JITados os programas .NET se tornam programas muito semelhantes a programas nativos, contando no entanto com o Garbage Collector para gerenciar a memória utilizada pela aplicação. Ainda assim, tudo está disponível para inspeção usando as mesmas ferramenta de debug nativo do Windows SDK, tanto que a passagem de objetos de e para aplicações nativas em tempo de execução é feita de modo bem direto, embora perca-se com isso a conveniência e segurança do Garbage Collector.

Uma vez JITadas, as aplicações .NET tornam-se código nativo, otimizado para o computador em que serão executadas, por isso a MSIL é distribuída nos assemblies ao invés de código nativo. No entanto, é possível gerar imagens nativas, pré-JITadas, dos assemblies e distribuí-las já prontas para uso, através da ferramenta NGen, já existente desde as primeiras versões do .NET, eliminando a etapa de compilação no momento do carregamento desses assemblies.

Essa contextualização é necessária para entender a estratégia .NET Native, anunciada em 02 de Abril de 2014. Tal estratégia consiste no uso de uma ferramenta que, resumidamente, irá pré-JITar as aplicações enviadas para distribuição pela Windows Store para todas as plataformas (modelos específicos de tablets, celulares e PCs) antes que seja feita distribuição para as máquinas clientes. Com isso, espera-se que tais aplicações tenham um carregamento 60% mais rápido, além de serem mais eficientes no uso de memória. Além da pré-compilação, também foram feitas algumas alterações na CLR para otimizar a execução de aplicações .NET Native. Bastante interessante, principalmente sabendo-se que o objetivo é estender de alguma forma esse benefício a demais aplicações .NET, não ficando restrito a aplicações da Windows Store.

Veja mais neste link.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Arquitetura de Microserviços e DDD

DDD já é velho conhecido de muitos desenvolvedores de software já há mais de 10 anos, no entanto o termo Microservices Architecture tem ganhado popularidade apenas recentemente.

Venho trabalhando em uma arquitetura de micro serviços, desenvolvida sobre o .NET Framework, já há quase 1 ano, desde antes da popularização do termo e até mesmo antes da publicação do Manifesto Reativo. No entanto, essa arquitetura tem se mantido desde o início bem aderente a esses dois conceitos.

Chamada aqui de Plataforma ST (nome real omitido), trata-se de uma arquitetura que permite que pequenos serviços de aplicação coexistam e se comuniquem entre si, de modo seguro, escalável e permitindo que novos serviços possam ser incluídos na plataforma a qualquer momento, complementando as funcionalidades já existentes. Note que não se trata de um único produto composto por múltiplos serviços relacionados, mas sim de uma plataforma de agregação de serviços. É possível haver uma instância da Plataforma ST agregando serviços de CRM, outra agregando serviços de ERP e outra para serviços de POS, cada uma dessas compondo um sistema distinto. Ainda assim, para cada uma delas, existe a possibilidade de se agregar novos serviços, incluindo alguns que sejam responsáveis exclusivamente pela interação entre esses diferentes sistemas.

Segundo as recomendações do DDD, módulos de um sistema, no nosso caso assemblies ou namespaces .NET, não devem conter no seu nome um nome de produto, mas sim a funcionalidade que ele provê, assim como devem conter como prefixo o nome da empresa que os desenvolveu. Assim, um módulo de gerenciamento de projetos ágeis desenvolvido pela empresa Contoso deveria ser nomeado com.contoso.agileprojectmanagement.applicationservice, de acordo com o que fora apresentado por Vaughn Vernon em Implementing Domain-Driven Design. No entanto, o padrão com.nomedaempresa se limita ao mundo Java, linguagem usada pelo autor para ilustrar o livro. Em projetos .NET, não há o costume de acrescentar o nome da empresa nos nomes dos módulos, e muito menos o prefixo com.

Ainda assim, poderíamos adaptar essa terminologia e nomear um dos nossos módulos de Contoso.AgileProjectManagement.ApplicationService, no entanto optei por usar ST.AgileProjectManagement.ApplicationService, e posso justificar essa decisão.

A Plataforma ST requer que os serviços desenvolvidos para executar sobre ela sigam um determinado padrão. Há uma classe abstrata ou no minimo uma interface que precisa ser implementada por todos os serviços, além disso eles precisam ser desenvolvidos levando em consideração o modo como a Plataforma ST irá gerir seu ciclo de vida. E mais, a Plataforma ST não é uma bala de prata, obviamente. Há cenários em que o mais interessante seja usar uma outra plataforma, ou desenvolver o sistema diretamente sobre o .NET Framework, já descartando os casos em que o próprio .NET Framework não seja a melhor opção.

Imagine por exemplo que seja desenvolvido na mesma empresa um sistema de colaboração, uma espécie de Wiki, que se adere aos padrões DDD mas não se encaixa na Plataforma ST. Esse sistema será desenvolvido de modo completamente independente dela, seus módulos serão totalmente incompatíveis. Agora seguindo a recomendação de usar o nome da empresa para determinar o nome dos módulos, teríamos algo como Contoso.Collaboration.ApplicationService, algo muito semelhante aos módulos dos sistemas desenvolvidos sobre a Plataforma ST, mas sem relação alguma com ela.

Por que não usar então Contoso.ST.AgileProjectManagement.ApplicationService? Ai vem um ponto em que discordo da recomendação do Vernon. Usar o nome da empresa, de qualquer modo que seja, na nomenclatura dos módulos, pode ser ruim e prefiro usar em seu lugar não o nome comercial de um serviço, o que concordo não ser recomendável, mas manter o módulo nomeado conforme sua função e prefixá-lo com um nome de projeto ao invés do nome da empresa. Seria algo que identifica todos os módulos que possuem algo em comum e cumpre a mesma função do nome da empresa na recomendação do livro.

Mas por que isso? Já trabalhei em uma empresa que mudou de nome, e via produtos legados com o nome antigo por todos os lados. Há casos de fusões e aquisições, em que o nome do proprietário do produto muda, e mesmo havendo motivações para manter o nome do desenvolvedor original mesmo que ele não exista mais, há o risco de novos módulos que integrem a mesma aplicação passarem a ser nomeados conforme o novo nome da empresa, o que geraria uma combinação de nomes de módulos não muito interessante.

Enfim, era isso que gostaria de compartilhar aqui e gostaria de ouvir a opinião de quem trabalha com DDD e já teve que passar por situações semelhantes às que descrevi. O que vocês tem a dizer?

quarta-feira, 19 de março de 2014

"Apagão de talentos na área de TI? Que absurdo."

"Apagão de talentos na área de TI? Que absurdo."

Essa é a reação padrão de muitos profissionais de TI quando alguém diz que há um apagão de talentos na área de TI. Muitos verdadeiros talentos acreditam não estarem isolados, embora creio que a maioria se sinta assim. Já outros, talentos fajutos, que por alguma razão se consideram talentos natos mas que mal conseguiriam elaborar uma boa redação, se ofendem e partem pro ataque.

Não tenho em mãos dados estatísticos ou qualquer outra evidência forte de que esse apagão de fato exista, no entanto posso falar pela minha percepção. Já faz uns 8 anos que sou um dos responsáveis pela seleção de desenvolvedores e testadores de software nas empresas em que trabalhei nesse período, e o que observo é assustador. Sempre fui muito exigente e os exames de seleção que costumo aplicar refletem isso, no entanto sou criterioso o bastante para não exagerar e a impressão que fica é que a cada 10 que se candidatam, apenas 1 ou 2 merecem se quer serem considerados.

O mercado de TI nos últimos anos, em especial na área de desenvolvimento de software, tem se inflado cada vez mais de "profissionais" acomodados, que aprendem a fazer o básico, muitas vezes usando uma única tecnologia, uma única linguagem, um único framework, e mesmo assim escrevendo códigos de péssima qualidade mas que por já terem feito CRUDs por alguns poucos anos se consideram profissionais experientes. Há muitos profissionais de desenvolvimento de software no mercado, alguns são realmente bons e me daria orgulho os terem como colegas de trabalho, no entanto o que percebo é que são minoria (minoria no mercado como um todo, pois se considerar apenas os que participam ativamente das comunidades online de desenvolvedores creio que o número cresça bastante, pois apenas por estarem participando delas já podem ser considerados mais interessados pela profissão que os demais).

Portanto, o que penso é que há sim um apagão de talentos na área de TI, embora haja um excesso de profissionais disponíveis no mercado. E as más condições de trabalho e baixos salários pagos em alguns segmentos do setor em algumas cidades do país não servem como desculpa para o desapego e a falta de compromisso com a carreira que muitos demonstram. Pelo contrário, a baixa valorização pode até ser em parte justificada pelo excesso de maus profissionais, que aceitam qualquer condição de trabalho, desde que não exijam muito em troca.

Enfim, se quer saber o que eu espero de um profissional, veja este link e este link.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Arquitetos de Software na Era da Agilidade

Atualmente tenho trabalhado como arquiteto de software e também como ScrumMaster em um time Scrum. Estamos desenvolvendo um projeto bastante complexo, onde temos na mesma equipe desenvolvedores de software, engenheiros, desenvolvedores de firmware e até mesmo desenvolvedores de hardware. Trata-se de uma única equipe de mais de 10 pessoas, e quem já tem experiência no assunto já pode imaginar que não deve ser nada fácil tocar um projeto como esse, principalmente se acrescentar que esta é a primeira experiência com Scrum para a maioria dos integrantes da equipe, e também meu primeiro projeto como ScrumMaster.

Estou escrevendo isso porque hoje tive contato com um artigo, escrito por Stravos Kontopoulos, que trás não apenas uma excelente definição das responsabilidades de um arquiteto de software como também destaca os principais desafios de um arquiteto de software em um projeto ágil. Achei fascinante, pois a realidade que vivo hoje é muito bem descrita por ele.

Segundo Stravos,
Arquitetos de software, para serem bem sucedidos, devem possuir diferentes habilidades: habilidades técnicas, habilidades gerenciais, habilidades de liderança.
A razão por trás disso é que eles são a interface para muitos grupos dentro da organização: desenvolvedores, interessados do negócio, engenheiros de operação, testadores, marketing, conselhos, etc. 
Habilidades técnicas são uma necessidade para uma arquitetura válida, servindo os propósitos do negócio de acordo com as necessidades atuais e futuras. Além disso, habilidades técnicas destacadas garantem que a tecnologia está sendo aplicada da maneira correta.
Um conjunto de habilidades gerenciais é essencial. Entregar um produto/projeto dentro do tempo/orçamento é de grande importância e um arquiteto de software é normalmente assistido por um gerente de projetos responsável por essa tarefa. O aspecto chave aqui é que o arquiteto de software sabe melhor como priorizar o trabalho, sabe melhor determinar riscos para o cumprimento dos requisitos do projeto/produto de acordo com sua perícia em software. A atual execução do gerenciamento pode ficar por conta do gerente de projetos, que também monitora os recursos/riscos em maior detalhe.
Acima de tudo, todo arquiteto de software deve ser um construtor de equipes. Frequentemente essa não é uma tarefa fácil. Pegar as pessoas certas, que frequentemente não são de sua escolha, manter o equilíbrio dentro do time, gerenciar as expectativas e a produtividade das pessoas, e eventualmente liderar o time é de vital importância. É como conduzir uma orquestra. Se você não fizer isso direito, o resultado será ruim, mesmo que tenha os melhores músicos.
Posso dizer que essa foi a melhor descrição para a função de um arquiteto de software que já encontrei. Reflete exatamente os desafios que encontramos no dia a dia, e as responsabilidades que temos que assumir. Quem pensa que ser um arquiteto de software é sentar a bunda na frente do Enterprise Architect e passar o dia desenhando diagramas (coisa que, como arquiteto ágil, raramente faço), está muito enganado.

Na sequência, Stravos fala sobre o papel do arquiteto de software em uma equipe ágil:
Na era da agilidade, em que não há tal coisa como uma arquitetura estável pré-definida, desenvolvedores devem trabalhar próximos ao arquiteto de software, monitorando a evolução da arquitetura.
Isso quer dizer que desenvolvedores também devem ter alguma habilidade com projeto arquitetural, de modo a fazer parte da evolução da arquitetura, sendo capazes de compreendê-la efetivamente. Um arquiteto de software não é capaz de estar ciente de todos os detalhes de um produto de software, mas deve estar ciente de cada decisão ou restrição que possa fazer a arquitetura se tornar inconsistente ou se desviar de sua tendência inicial.
O arquiteto de software, por sua vez, deve estar próximo de seu time, auxiliando-o durante as iterações de desenvolvimento, e por isso deve estar acostumado à codificação e codificar até um certo nível.
Muito frequentemente, um trabalho negligenciado é a documentação das arquiteturas. Isso pode ser parte de uma tarefa ágil em que a documentação é refatorada a cada iteração que também modifique a arquitetura.
Esta é a única maneira de se saber quais caminhos arquiteturais você está seguindo e ser capaz de apresentar aos interessados que você de fato sabe, e que eles possam ver através de seus olhos, o que você está construindo.
Confira o artigo completo neste link.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Uma retrospectiva pessoal dos últimos 3 anos!

O ano de 2013 foi um ano realmente produtivo pra mim. Concluí projetos pendentes, iniciei novos projetos, atingi objetivos profissionais, encarei novos desafios, e isso tudo é devido fortemente de uma mudança de atitude que ocorreu ao final de 2011.

Há algum tempo recebi um conselho que considero o mais importante que já recebi: "não invista demais em sua mente se esquecendo de cuidar também do seu corpo, pois um não vive sem o outro". Na época eu passava por alguns problemas de saúde devido basicamente ao estresse e ao sedentarismo, e esse conselho me fez abrir os olhos e perceber que de fato eu estava investindo demais em qualificação e deixando de lado o lazer, a saúde e o bem estar, algo considerado normal nos dias de hoje. Isso foi em meados de 2009, e de lá pra cá passei a dar muito mais atenção ao meu bem estar e principalmente à minha saúde.

Decidi, a partir de então, estudar menos, deixar as coisas evoluírem mais devagar, usar um pouco o produto de tanto investimento antes de investir mais. No entanto, isso me fez perceber que a qualidade do investimento que eu havia feito até então não era bem o que eu esperava. Ainda me sentia despreparado, ainda havia dúvidas que eu precisava responder para me sentir maduro profissionalmente.

Como então equilibrar as coisas? Voltar a estudar, produzir mais e melhor, e ao mesmo tempo não passar pelo estresse absurdo em que vivia?

Primeiramente, mudei de emprego, pois vinha de lá a grande fonte de estresse pelo qual eu passava. Mais que isso, pedi demissão sem nem mesmo ter outro emprego. Decidi ter férias prolongadas, esquecer completamente os compromissos e as consequências, passei dois meses apenas descansado, e por fim retomei os estudos.

Fiz uma breve pesquisa de mercado para entender o que eu precisaria aprender de novo, em que eu precisaria me reciclar, escolhi alguns livros, e passei a me dedicar a eles. Isso aconteceu em meados de 2011.

Era hora de voltar à realidade. Pesquisei um pouco a respeito de algumas empresas de Belo Horizonte onde eu gostaria de trabalhar e fiz contato. Destas, nenhuma oportunidade surgiu, ao menos não nas semanas iniciais, mas para minha surpresa recebi uma ligação de uma outra empresa, até então desconhecida por mim, que havia recebido uma indicação de alguém para me contactar, pois eu seria a pessoa certa para resolver o problema pelo qual eles passavam naquele momento. Fiz contato numa quinta feira, e no dia seguinte já havia sido contratado. Parecia mesmo urgente o problema rs.

Em um novo ambiente, livre do estresse de antes, encontrei espaço para buscar os novos desafios que precisava para me manter motivado.

Em paralelo a isso, passei a investir mais em saúde, o sedentarismo crônico ficou para trás, embora sempre passe de vez em quando para dar um oi. E a ideia de pesquisar o que eu previsava aprender, em que eu precisava investir, foi um ótima ideia. Aprendi muito com os 6 primeiros livros que escolhi, e vi que esse seria um ótimo caminho, muito mais produtivo que a participação em cursos e a leitura de blogs e mais blogs, os quais eram minha principal fonte de informação até então.

Apenas no segundo semestre de 2011 li 6 livros, um recorde para quem era acostumando a ler não mais que 1 ou 2 livros por ano, se muito. Em 2012 a produção já foi mais baixa em números, mas não em valor. Ao final do mesmo ano, diante do desafio de produzir um trabalho de conclusão de curso que demandaria bastante pesquisa, decidi tornar a leitura uma atividade mais frequente, e decidi que faria isso sem prejudicar as demais atividades do meu dia a dia. Qual a solução? Não mais que míseros 30 minutos de leitura diária, antes de dormir, principalmente. Com essa estratégia, consegui concluir, supreendentemente, 15 livros técnicos no ano de 2013. Isso enquanto fazia um curso de pós graduação, que me exigia em média 1 hora por dia de dedicação.

Hoje tenho tempo para me dedicar ao meu bem estar, e em 2014 talvez invista menos em qualificação, mas certamente com muito mais qualidade que nos anos anteriores a 2011. Ao que tudo indica, será um bom ano.


sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Conclusão do Curso de Especialista em Estratégias em Arquitetura de Software

Desenvolvo software desde 1998, profissionalmente desde 2002, mas apenas em 2008 identifiquei a área de Arquitetura de Software como aquela que mais me desperta interesse. Naquela época, ainda era uma área bastante marginalizada, ainda sendo um pouco ainda hoje. Afinal, quantas empresas possuem o cargo Arquiteto de Software? Quantas se quer sabem o que seria um Arquiteto de Software? Infelizmente ainda não parecem ser a maioria. Por conta disso, ainda é baixa a oferta de cursos de qualificação específica na área.

Ainda em 2008, soube da criação em Belo Horizonte do IGTI, uma instituição que passava a oferecer o primeiro curso de Estratégias em Arquitetura de Software do país, sendo uma das poucas a oferecer tal curso ainda hoje. Me interessei bastante, mas por inúmeros motivos não me matriculei. Até que, em 2012 soube que o mesmo curso passou a ser oferecido na modalidade de Ensino à Distância e com isso seria bem mais fácil conseguir o tempo necessário para me dedicar às aulas. Não havia mais desculpas. Fiz o curso e gostei bastante. Aprendi muito, ratifiquei boa parte do conhecimento que adquiri na prática ao longo dos anos, fiz bons contatos profissionais e bons amigos.

Desde os primeiros meses de curso, já falávamos a respeito do trabalho de conclusão, e aproveitei a oportunidade para estudar mais a fundo dois temas que muito me agradam, e que visivelmente contribuem para a melhoria da qualidade do meu trabalho e para o aumento de minha produtividade, que são as já bem conhecidas Boas Práticas para Desenvolvimento de Software e as nem tão conhecidas Especificações por Exemplo.

Desde meu primeiro contato com Especificação por Exemplo, então conhecidas por mim apenas como Behavior-Driven Development, já notei o quanto a técnica tornava mais simples a definição do que deve ser feito e como o trabalho deve ser divido, implementado e testado. Tendo uma boa técnica para verificar continuamente a qualidade do trabalho, fica bem mais fácil refatorar continuamente o código e aplicar continuamente as tão famosas Boas Práticas.

O resultado desse trabalho está disponível neste link. Confiram.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

A sindrome do arquiteto astronauta

Desde que iniciei minhas aventuras com programação, na época que não fazia mais que encontrar novos meios de se usar a função SE no Excel 5, sempre gostei de pensar, inventar, descobrir e usar coisas novas. Cada novidade que eu podia experimentar, que podia tornar o código que eu escrevia mais agradável, me trazia satisfação. Não me bastava saber como criar uma tela de cadastro, isso já no Delphi, eu queria sempre buscar uma nova maneira, mais eficiente, de fazer isso, e ainda hoje tenho esse impeto pela inovação e pela maior eficiência. Arquitetura de Software sempre foi a minha praia dentre as várias que um desenvolvedor de software pode escolher. E claro, quem experimenta coisas novas erra muito mais que acerta. É necessário muita experimentação até se conseguir maturidade para identificar as chances de sucesso do próximo experimento, portanto coleciono muitas decisões equivocadas, das quais me orgulho pois cada uma delas contribuiu para os acertos seguintes.

Em meados de 2008, num período em que eu já me considerava capaz de criar soluções mais elaboradas, e já estudava com mais profundidade temas como padrões de projeto e boas práticas de desenvolvimento, me lembro estar construindo uma solução que, obviamente, tendia à perfeição. No entanto cada uma das imperfeições ainda existentes me incomoda absurdamente e cada dia eu gastava mais tempo tentando me livrar delas. Foi nesse período que alguém me disse: "você está sofrendo da síndrome do arquiteto astronauta, não deixe a busca pela perfeição te impedir de fazer um bom trabalho". Minha primeira reação foi pensar que aquilo simplesmente não fazia sentido, seja lá o que fosse a tal síndrome, já que buscando a perfeição, obviamente eu acabaria fazendo um bom trabalho. No entanto, na mesma época eu também passava por um processo de amadurecimento profissional forçado em que decidi aceitar toda crítica recebida independente de concordar ou não, buscando tirar algo positivo dela. Era mesmo possível que eu estivesse buscando algo desnecessário, ao menos para aquele contexto?

O arquiteto astronauta é aquele que vive no mundo da lua, fora da realidade, buscando soluções de outro mundo, vidrado demais em padrões e mais padrões, buscando sempre a solução mais perfeita possível sob o ponto de vista técnico. Para ele, se a solução pode ser melhorada, ela deve ser melhorada, e deve ser melhorada de imediato. Se uma tecnologia nova e interessante surge, ele vai querer usá-la, ainda que não tenha real necessidade. Se um novo padrão está bombando e se propõe a resolver o problema que ele enfrenta, ele irá querer usar tal padrão a qualquer custo. Assim cada vez mais novas tecnologias e padrões vão sendo agregadas a suas soluções, e dai começam a surgir as evidências de que sua super complexa, moderna e foda arquitetura, não é tão perfeita assim.

"Simples é melhor". "Mantenha isso simples, estúpido". "Você não vai precisar disso". São princípios listados entre as boas praticas que um bom arquiteto deve ter a obrigação de seguir, mas que normalmente são ignoradas pelo arquiteto astronauta. Hoje sei bem disso. Caso as ignore, suas soluções acabarão lotadas de tecnologias e padrões que tornarão seu código mais complicado de ser compreendido e modificado, a execução do software ficará mais lenta, dadas as camadas e mais camadas de abstração e linhas de execução, você mesmo ficará sobrecarregado em ter que gerenciar aquilo tudo.

Pra encerrar a história: Tenha sempre em mente a sua necessidade atual. Necessidades futuras mudarão, e suas soluções previamente implementadas podem se quer vir a atendê-las, quanto menos da melhor forma. "Você não vai precisar disso". Mantenha as suas soluções simples. Evite abstrações demais, que não se justifiquem na prática. E quanto aos princípios SOLID, lembre-se que eles existem para lhe orientar no processo de refatoração e melhoria de código, não no processo de construção. Evite otimizações antecipadas, antes de ter uma versão menos otimizada do código já funcionando, ou ainda, antes de identificar que tais otimizações são realmente necessárias. E o principal, evite criar situações apenas para lhe permitir usar um determinado padrão ou tecnologia. Não é por que programação distribuída lhe oferece diversas vantagens em diversos cenários que você deve executar cada procedimento em uma thread separada. Não é por que MongoDB é legal que você deve descartar o bom e velho Oracle sem pensar duas vezes.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Apague o seu código para torná-lo melhor

Menos é mais. Essa é uma máxima um pouco banal, mas as vezes é verdadeira. Uma das melhorias que tenho feito em nossa base de código nos últimos anos tem sido remover pedaços dela.
Escrevemos o software seguindo dogmas de XP, incluindo YAGNI (que quer dizer, You Aren’t Gonna Need It, Você Não Vai Precisar Disso). Mas sendo nossa natureza humana como é, inevitavelmente somos fracos em alguns pontos.
Observei que o produto estava levando muito tempo para executar certas tarefas, tarefas simples que deveria ser quase instantâneas. Isso por que estavam sobre-implementadas – enfeitada com firulas que não eram necessárias, mas que naquele momento pareciam ser uma boa ideia.
Então simplifiquei o código, melhorei sua performance, e reduzi o nível de entropia global do código simplesmente removendo as funcionalidades desnecessárias da base de código. Prestativamente, meus testes unitários me disseram que eu não havia quebrado nada durante essa operação. Uma experiência simples e plenamente satisfatória.
Mas por que o código desnecessário acabou lá em primeiro lugar? Por que um programador sentiu a necessidade de escrevê-lo, e como isso passou pelos processos de revisão de código e programação em pares? Quase certamente algo do tipo:
- Era um coisa legal de se escrever e o programador queria escrevê-la. (Dica: Escreva código porque agrega valor, não porque você que agrada);
- Alguém imaginou que isso seria necessário no futuro, então sentiu que seria melhor escrever isso já agora. (Dica: Isso não é. YAGNI. Se você não precisa disso agora, não escreva isso agora);
- Não parecia que o “extra” era tão grande assim, então seria mais fácil implementar isso agora do que ir até o cliente para ver se isso era realmente necessário. (Dica: Sempre leva mais tempo escrever e manter código extra. E o cliente na verdade é bem acessível. Uma pequena porção de código extra vira uma bola de neve com o tempo e se torna uma grande porção de código a ser mantido);
- O programador inventou requisitos extras que não estavam nem documentados nem discutidos para justificar a funcionalidade extra. O requisito era na verdade falso. (Dica: Programadores não definem requisitos, o cliente define);
No que você está trabalhando agora? Isso é realmente necessário?
Pete Goodliffe
97 Things Every Programmer Should Know: Collective Wisdom from the Experts, Kevlin Henney, O'Reilly Media, Fevereiro de 2010, pág. 78

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Aprendizado Contínuo

Vivemos em tempos interessantes. À medida que o desenvolvimento é distribuído pelo mundo, percebemos que há muitas pessoas capazes de fazer o nosso trabalho. É preciso continuar aprendendo para se manter no mercado. Caso contrário, nos tornamos dinossauros, presos no mesmo trabalho, até que, um dia, deixamos de ser necessários ou temos nosso trabalho terceirizado para uma fonte mais barata de recursos.
Sendo assim, o que fazer a respeito? Alguns empregadores são generosos o suficiente para fornecer treinando para ampliar nosso conjunto de habilidades. Outros podem não ser capazes de dispor do tempo ou dinheiro para nos oferecer qualquer formação. Por segurança, precisamos assumir a responsabilidade sobre nossa própria educação.
Aqui está uma lista de dicas de como se manter atualizado. Muitas destas podem ser obtidas de graça na Internet:
• Leia livros, revistas, blogs, feeds do Twitter e sites. Se você quiser se aprofundar em um assunto, considere se juntar a uma lista de discussão ou de notícias.
• Se você realmente quiser ficar imerso em uma tecnologia, coloque a mão na massa – escreva algum código.
• Sempre tente trabalhar com pessoas mais experientes; ser o melhor pode paralizar seu aprendizado. Embora você possa aprender com qualquer pessoa, aprenderá muito mais com alguém mais inteligente ou mais experiente que você. Se não conseguir encontrar um mentor onde trabalha, considere seguir outros caminhos.
• Use mentores virtuais. Procure autores e desenvolvedores na Web que você goste de ler. Assine seus blogs.
• Conheça os frameworks e bibliotecas que você usa. Saber como algo funciona faz com que você saiba como usá-lo melhor. Se forem código aberto, melhor ainda. Use o depurador para percorrer o código para ver o que está acontecendo por baixo dos panos. Você vai começar a ver códigos escritos e revisados por pessoas realmente inteligentes.
• Sempre que você cometer um erro, corrigir um bug, ou tiver um problema, tente entender o que aconteceu. É provável que alguém já tenha passado pelo
mesmo problema e tenha postado na web. o Google é bastante útil nesse momento.
• Uma boa maneira de aprender algo é ensinar ou falar a respeito. Quando as pessoas lhe ouvem e lhe fazem perguntas, você fica mais motivado
a aprender. Tente ensinar algo a seus colegas de trabalho, em um grupo de usuários, ou em uma conferência local.
• Faça parte ou inicie um grupo de estudos ou um grupo de usuários para uma linguagem, disciplina ou tecnologia em que esteja interessado.
• Vá a conferências. E se não puder ir, muitas conferências disponibilizam suas palestras online gratuitamente.
• Vai fazer uma longa viagem? Ouça a um podcast.
• Você costuma executar alguma ferramenta de análise estática de código, ou verifica os warnings na sua IDE? Entenda o que eles estão relatando e por quê.
• Siga os conselhos do “The Pragmatic Programmer”* e aprenda uma nova linguagem a cada ano. Ou ao menos aprenda uma nova tecnologia ou ferramenta. Esses estudos podem lhe dar novas idéias, que você pode usar com suas tecnologias atuais.
• Nem tudo o que estudar tem de ser sobre tecnologia. Entenda o domínio em que está trabalhando, assim você poderá entender melhor os requisitos e
ajudar a resolver problemas de negócio. Aprender a ser mais produtivo, como trabalhar melhor, é outra boa dica.
• Volte para a escola. Faça um novo curso.
Seria bom ter a capacidade que tem o Neo, em Matrix, e simplesmente baixar as informações que precisamos para nossos cérebros. Mas não temos, por isso temos que assumir um compromisso mais longo de aprendizado. Você não precisa gastar cada hora acordado estudando. Um curto período, digamos uma vez por semana, já é melhor que nada. Há (e deve sempre haver) uma vida além do trabalho.
A tecnologia muda rapidamente. Não fique para trás.
Clint Shank
97 Things Every Programmer Should Know: Collective Wisdom from the Experts, Kevlin Henney, O'Reilly Media, Fevereiro de 2010, pág. 36.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Nada substitui o lucro

Se você é um programador apaixonado pelo que faz, já deve ter sofrido bastante ao ver seus chefes, coordenadores, gerentes, ou patrões ignorando questões técnicas de suma importância, para você, como a manutenção de um código fonte de qualidade por exemplo, para viabilizar o cumprimento de um prazo ou algum requisito contratual. Isso é realmente frustrante e deve lhe fazer reclamar bastante pelos corredores e reconsiderar sempre a possibilidade de mudar de emprego, certo?

Não adianta. Onde quer que vamos estamos sempre sujeitos a isso. Você pode até mesmo encontrar uma empresa bacana de se trabalhar, onde os valores técnicos são tão considerados quanto os valores gerenciais, mas se de repente essa empresa entra em crise, rapidamente começaram as demissões, estagiários brotando do chão, agilidade sendo substituída por métodos tradicionais e a qualidade sendo deixada novamente em segundo plano.

Nada substitui o lucro, e isso é algo que você desenvolvedor, por mais bem intencionado que esteja, por mais profissional que seja, e por mais comprometido que se mantenha com a qualidade do código que escreve, não deve deixar de considerar. E não veja isso como algo ruim, ou errado. De fato nada substitui o lucro. Nenhuma empresa é constituída com o objetivo de criar o melhor software se isso não for apenas um meio de levá-la ao lucro. No fim, o que toda empresa busca é o lucro. 

Como então criar software de qualidade se o que interessa à empresa para a qual você trabalha é apenas lucrar? Se um software porcamente feito for mais lucrativo, é isso que a empresa irá lhe demandar, certo? Nem sempre. Cada organização tem seus valores, e muitas já reconhecem que produto de baixa qualidade uma hora ou outra se reverterá em prejuízo. Mas se esse não for o caso da empresa em que você trabalha, não entre numa guerra por interesses que deveriam ser daqueles que lutam contra. Faça sua parte, coloque qualidade no que você faz, na medida em que for possível, e não seja perfeccionista demais, seja mais pragmático. Aprenda também a aceitar que muitas vezes o nível de qualidade necessário será muito inferior ao melhor que você tem capacidade de entregar. Entenda os objetivos do projeto, compartilhe deles, e dentro desse limite, faça o seu melhor.


segunda-feira, 14 de outubro de 2013

5 segredos para um propósito compartilhado

Um dos pré-requisitos para um trabalho em equipe saudável e eficiente é sem dúvida ter um propósito compartilhado pela equipe. Abaixo listo 5 segredos elencados por Christopher Avery para facilitar esse objetivo.
1. Estabelecer um entendimento compartilhado:
Discuta cada tópico, a missão, os entregáveis, e o produto do trabalho de sua equipe, até que possam articular juntos uma descrição clara e comum de seu propósito.
2. Selecione sua equipe por sua motivação, não por suas qualificações.
Se trabalho em equipe é importante para você, olhe para as qualificações apenas após considerar diretrizes, energia, interesse, motivação e entusiasmo, por que é um desejo compartilhado, não taleto, que gera trabalho em equipe.
3. Aceite, de uma vez por todas, que colegas de equipe não precisam gostar uns dos outros.
Encorajar afinidade para uma tarefa compartilhada, não para um com o outro, é a maneira mais rápida e certa de criar forte coesão no grupo. Ao invés de usar exercícios e técnicas que promovam a amizade, faça todos adotarem um foco comum de modo que cada membro da equipe veja boas razões para trabalhar um com o outro.
4. Pare de tentar motivar.
Por que tentar motivar outras pessoas quanto isso é quase impossível? Ao invés disso, use a motivação que já existe nos membros da equipe perguntando a eles sobre suas necessidades e desejos.
5. Determine se seu time está "construído".
Um time "construído" compartilha direcionamento e energia. Para atingir esse status para seu time, coloque sua fundação bem cedo perguntando a você mesmo uma variedade de importantes questões. Qual é a tarefa da equipe? Qual o benefício para cada membro da equipe ao se comprometer com esse trabalho? Há acordos que permitam à equipe operar mais rapidamente e eficientemente? Os membros da equipe compartilham um objetivo comum que os inspire? Você sabe o que cada membro da equipe agrega ao time?

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Você não pode ganhar todas

Muitas foram as vezes em que me frustrei ao tentar convencer a outros, em especial quando eram superiores hierárquicos, a adotarem uma solução proposta por mim. Na maioria das vezes, diante de um problema, o que eu fazia era elaborar a melhor solução que eu fosse capaz, analisava cada detalhe, não deixava nada de fora, e por fim apresentava aos interessados, muitas vezes nem tão interessados assim, um solução única. Obviamente não era uma solução perfeita, mas já era uma solução bastante questionada e analisada.

O resultado disso, na maioria das vezes, era uma rejeição com base em argumentos mal fundamentados, mal pensados, que não consideravam todo o contexto, que dava importância a fatos irrelevantes e desconsiderava os fatos realmente importantes. Obviamente esse tipo de rejeição é bastante revoltante. No entanto, isso é bastante comum de se ver em situações como essa. Mas há justificativa.

Muitas vezes nós de fato não demos os pesos certos aos fatores considerados, ao menos não segundo a ótica dos demais interessados. Outras vezes não temos todo o domínio do contexto, não conhecemos todos os fatos que serão considerados pelos tomadores de decisão. E outras vezes o tomador de decisão simplesmente erra feio mesmo. O fato é que não podemos ganhar todas. Perderemos muitas. Por motivos legítimos ou por motivos idiotas. Mas essa é a realidade.

Diante disso, já há algum tempo mudei minha tática e ao invés de me focar em obter uma única melhor solução para os problemas que me dedico a resolver, passei a elaborar e propor várias. Na maioria das vezes nenhuma delas trará o melhor resultado de imediato, muitas vezes deixaram a desejar, mas todas elas resultarão em uma realidade melhor que simplesmente continuar convivendo com o problema.

E o que observei com essa mudança de comportamento foi que agora vejo boa parte das minhas propostas sendo colocadas em prática, ainda que muitas delas continuem sendo rejeitadas por uma razão ou outra. Diante de problemas que sei ser capaz de ajudar a resolver, vejo pequenos avanços sendo dados, pequenas ideias sendo implementadas e fazendo a diferença.

Se você é uma pessoa pró-ativa como eu e que não consegue ficar inerte diante de um problema passível de solução, não tente elaborar uma solução fantástica que mudará a realidade para sempre. Pense em pequenos avanços, proponha pequenas mudanças, e proponha muitas delas. Se você for mesmo bom no que faz, aquelas que forem aceitas já poderão tornar a realidade um pouco melhor e lhe darão credibilidade para que seja ouvido novamente no futuro.

sábado, 28 de setembro de 2013

O que é um programador profissional?

A característica mais importante de um programador profissional é responsabilidade pessoal. Programadores profissionais assumem responsabilidade por suas carreiras, suas estimativas, seus compromissos com o cronograma, seus erros, e sua criação. Um programador profissional não passa essa responsabilidade para os outros.

  • Se você é um profissional, então você é responsável por sua carreira. Você é responsável por ler e aprender. Você é responsável por estar atualizado com a industria e a tecnologia. Muitos programadores sentem que é responsabilidade de seus empregadores treiná-los. Desculpe, isso está simplesmente errado. Você acha que médicos se comportam assim? Você acha que advogados se comportam assim? Não, eles se treinam em seu próprio tempo, e com seu próprio dinheiro. Eles passam muitas de suas horas vagas lendo artigos e decisões. Eles se mantém atualizados. E assim devemos fazer. O relacionamento entre você e seu empregador é bem descrito no seu contrato de trabalho. Em resumo: seus empregadores se comprometem a lhe pagar, e você se compromete a fazer um bom trabalho.
  • Profissionais assumem responsabilidade pelo código que escrevem. Eles não liberam código a menos que saibam que funciona. Pense sobre isso por um minuto. Como você pode considerar-se um profissional se pretende liberar código sobre o qual não está seguro? Programadores profissionais esperam que o QA não encontre nada por que eles não liberam seu código até que o tenham testado por completo. Claro, QA sempre encontra algum problema, por que ninguém é perfeito. Mas como profissionais, nossa atitude deve ser não deixar nada para o QA encontrar.
  • Profissionais são jogadores de equipe. Eles assumem responsabilidade pela entrega de todo o time, não apenas pelo seu próprio trabalho. Eles ajudam um ao outro, ensinam um ao outro, aprendem um com o outro, e até mesmo substituem um ao outro quando necessário. Quando um colega de equipe está mal, os outros intervêm, sabendo que um dia serão eles que precisaram de ajuda.
  • Profissionais não toleram grandes listas de bugs. Uma lista de bugs enorme é desleixo. Sistemas com milhares de issues em sistemas de issue-tracking são tragédias do descaso. De fato, em muitos projetos, a simples necessidade de um sistema de issue-tracking já é um sintoma de descaso. Apenas sistemas muito grandes deveriam ter uma lista de bugs tão longa que alguma automação seja necessária para gerenciá-la.
  • Profissionais não fazem bagunça. Eles tem orgulho de sua criação. Eles mantém seu código limpo, bem estruturado, e fácil de ler. Eles seguem padrões acordados e boas práticas. Eles nunca, jamais se apressam. Imagine que você está tendo uma experiência fora do corpo assistindo um médico realizando uma cirurgia em seu coração aberto. Esse médico tem uma deadline (no sentido mais literal). Ele deve finalizar antes que a máquina de circulação artificial danifique demais as suas células vermelhas. Como você quer que ele se comporte? Quer que ele se comporte como um típico desenvolvedor de software, correndo e fazendo bagunça? Quer que ele diga, "Voltarei e corrigirei isso depois"? Ou quer que ele se atenha cuidadosamente a suas disciplinas, tomando seu tempo, confiante que sua abordagem é a melhor abordagem que ele pode razoavelmente tomar. Você quer uma bagunça, ou profissionalismo?
Profissionais são responsáveis. Eles assumem responsabilidade por suas carreiras. Eles assumem responsabilidade por fazerem seu código funcionar apropriadamente. Eles assumem responsabilidade pela qualidade de sua criação. Eles não abandonam seus princípios quando as deadlines os assombram. Na verdade, quando a pressão monta, profissionais se atém ainda mais forte às disciplinas que eles sabem serem corretas.

Robert C. Martin (Uncle Bob)

97 Things Every Programmer Should Know: Collective Wisdom from the Experts, Kevlin Henney, O'Reilly Media, Fevereiro de 2010, pág. 134.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Substituindo SVN por Git

Após alguns anos trabalhando com ferramentas de controle de versão centralizado, como StarTeam e Subversion (SVN), e já tendo feito algumas experiências com Mercurial e Git, usando BitBucket e GitHub como repositórios remotos, decidi iniciar um novo projeto usando Git, no entanto configurando meu próprio repositório remoto.

Numa empreitada como esta, três desafios normalmente precisarão ser superados:

  1. Configurar um repositório remoto e um repositório local e colocá-los para conversar educadamente. Essa tarefa é bem fácil e detalho mais adiante.
  2. Convencer os membros da equipe, acostumados com a comodidade do TortoiseSVN e com um processo de commit mais simples, que Git irá facilitar a vida deles, não o contrário. Isso também não será difícil, e há um modo suave de se fazer essa transição, que apresentarei a seguir.
  3. Convencer a empresa a aceitar os riscos de substituir o já conhecido SVN pelo Git, ainda que apenas num primeiro projeto. Isso será um pouco mais difícil, mas há algumas alternativas, caso isso não possa ser feito.

Para solucionar o primeiro problema, basta seguir este simples script:

  • Instale o Git, ou "GitHub for Windows", no servidor que será usado como repositório remoto.
  • No servidor onde o Git foi instalado, escolha uma pasta para hospedar o repositório remoto.
  • No Git Shell, navegue para a pasta escolhida e inicialize o repositório remoto com "git init --bare".
  • Instale o Git, ou "GitHub for Windows", em uma estação de trabalho.
  • Nessa estação de trabalho, escolha uma pasta para hospedar o repositório local.
  • No Git Shell, navegue para a pasta escolhida e inicialize o repositório local com "git init".
  • Monte dentro desse repositório a estrutura de pastas para o projeto.
  • Adicione a estrutura do projeto no git com "git add .".
  • Comite os arquivos recém adicionados no git, com "git commit -m 'Primeiro Commit'"
  • Configure o repositório remoto a ser usado pela estação de trabalho com "git config remote.origin.url endereço_do_repositorio_remoto".
  • Envie seu primeiro commit para o repositório remoto com "git push origin master"
  • Concluído. A partir agora você já poderá usar seu repositório local enviando os commits para o repositório remoto.
Para convencer a equipe a ao menos experimentar o Git, pode ser necessária muita conversa sobre as diferenças entre sistemas de controle de versão centralizados e distribuídos.

Apresentar a eles o "Git Game"  também pode ser útil.

No caso de equipes acostumadas a não usar ferramentas de linha de comando, esta será provavelmente a principal barreira. Para isso há duas ferramentas, em ambiente Windows, que podem ajudar. A primeira seria o TortoiseGit, semelhante ao provavelmente já conhecido TortoiseSVN, e a segunda o "GitHub for Windows". Quando trabalho com SVN, utilizo o TortoiseSVN, no entanto nas experiências que já fiz usando o GitHub usei o "GitHub for Windows", e esta será a ferramenta que usarei neste novo projeto.

Fica claro, pelo que disse acima, que o "GitHub for Windows" pode ser usado sem problema com repositórios remotos que não sejam repositórios do GitHub. Phil Haack, desenvolvedor da ferramenta, já falou sobre isso, no entanto utilizando um outro provedor de repositórios remotos, no caso o CodePlex. No nosso caso, precisamos usar o "GitHub for Windows" com um repositório remoto disponível na nossa intranet.

A configuração desse repositório remoto já foi feita acima, e sua utilização com o "GitHub for Windows", não poderia ser mais simples. Basta arrastar o repositório local, já configurado para enviar os commits ao nosso repositório remoto, para dentro da janela do "GitHub for Windows" e clicar no botão "Publish". A partir dai o botão "Sync" ficará disponível e poderá ser usado para sincronizar o repositório local com o repositório remoto. O uso dessa ferramenta pode tornar a aceitação do Git pela equipe bem mais simples.

Já para o terceiro desafio, o processo de convencer a empresa a experimentar o Git pode ser o mesmo usado com a equipe, ressaltando principalmente os ganhos de produtividade devidos a melhor performance e a maior segurança caso um desastre aconteça com o repositório remoto.

No entanto, caso a empresa se mantenha relutante, nada impede o uso misto de Git e SVN. Para isso pode ser usada a ferramenta "git svn", ou simplesmente usar um repositório local Git, e ter todas as vantagens que esse repositório local oferece, como a possibilidade de fazer vários commits, reverter alguns deles e "reordená-lo" antes de enviar ao repositório remoto, e um repositório remoto SVN, sendo sincronizado com o repositório local do modo tradicional. Ou seja, você trabalha localmente com Git até que seu código esteja em condições de ser compartilhado com a equipe, e nesse momento faz esse compartilhamento através de SVN, normalmente. Obviamente que com essa última abordagem, assim como com o uso de "git svn", muitas das vantagens do Git serão perdidas, mas ao menos você poderá fazer uso de parte delas.