Muito tem-se falado em Arquitetura de Microserviços recentemente. Resumidamente, trata-se de um estilo arquitetural em que a lógica da aplicação é dividida em pequenos (micro) serviços os quais podem ser escalados e distribuídos independentemente. Parece simples, mas na prática surgem inúmeras dúvidas sobre como interpretar cada um dos conceitos envolvidos e como implementar cada um deles.
Neste artigo darei algumas dicas baseadas na experiência positiva que tenho tido com a implementação desse estilo nos últimos tempos.
Primeiramente, não se trata de integração de aplicações. Microserviços não é SOA. É muito parecido, mas não tem o mesmo objetivo. Está mais para objetos distribuídos de um mesmo sistema do que para integração de diferentes sistemas, embora os mecanismos usados para a integração entres esses 'objetos' seja muito mais semelhante aos usados em SOA que aos usados em estratégias convencionais de objetos distribuídos, como CORBA, EJBs ou .NET Remoting.
Em segundo lugar, também não se trata de objetos distribuídos tradicionais. Não pense em criar seus objetos de modo que possam ser usados tanto localmente quando de modo distribuídos e deixar alguma infraestrutura de comunicação tomar conta da integração entre eles. Isso é lento e foi o que deu a fama negativa que as tecnologias citadas no paragrafo anterior tem no que se refere a performance.
Se não são aplicações distintas, nem objetos comuns de uma única aplicação sendo integrados, o que são portanto esses microserviços?
Quando iniciei minha experiência com esse estilo arquitetural, o termo Arquitetura de Microserviços ainda não me havia sido apresentado, portanto não precisei me preocupar em seguir uma definição ao pé da letra para poder dizer que era isso o que eu fazia. E isso vale para quem já conhece os termos. Padrões servem para nos apontar o caminho, não para serem seguidos como religiões. Mas voltando ao meu caso, só percebi que o que eu havia construído era aderente a esse estilo depois que já estava quase tudo pronto. Foi um processo bastante natural e como fui guiado pelos mesmo requisitos arquiteturais que levaram à definição do termo Arquitetura de Microserviços, minha implementação já nasceu naturalmente aderente a ele.
A resposta para a última pergunta, no meu caso, veio da metodologia conhecida como Domain-Driven Design (DDD). Embora possa parecer àqueles que a desconhecem que tal metodologia trate apenas de técnicas para organizar objetos de domínio, ela é muito mais que isso. DDD é por si só um estilo arquitetural, o qual define a estrutura de toda a aplicação, não apenas dos objetos de domínio.
Um dos conceitos mais importantes em DDD é o conceito de Serviço de Aplicação. Um Serviço de Aplicação tem a função de coordenar tarefas recebidas de um cliente externo, seja uma IHM ou outra aplicação/serviço, orquestrando a interação entre seus objetos e serviços de domínio, e por fim consolidando o resultado da operação solicitada. As operações executadas por um Serviço de Aplicação devem ter início e fim, sem depender de outros Serviços de Aplicação. E embora um serviço de aplicação possa realizar diferentes funções, cada uma delas deve ser muito bem definida, bem de acordo com o princípio da responsabilidade única, além é claro de estarem de algum modo bem relacionadas.
Dessa forma, uma vez que recebida uma solicitação e um conjunto de dados de entrada, um Serviço de Aplicação irá realizar a função solicitada por completo e produzir um resultado também completo. E isso é exatamente o que precisamos ter em um Microserviço para que ele não nos traga problemas. Na solução a qual me refiro neste artigo, cada função de um Serviço de Aplicação foi implementada como um Microserviço*. Sendo assim, um Serviço de Aplicação não era pra mim uma unidade computacional única, mas sim um agrupamento lógico de Microserviços intimamente relacionados**. Desse modo, cada Microserviço poderia residir em sua própria unidade computacional ou compartilhar uma mesma unidade computacional com demais microserviços que escalassem de maneira semelhante.
No caso de uma aplicação .NET, uma unidade computacional pode ser criada como um Windows Service, por exemplo, enquanto que um Serviço de Aplicação poderia ser composto por uma Class Library contendo os Microserviços que representam suas funções. Já em Java a unidade computacional poderia ser um WAR enquanto que o Serviço de Aplicação poderia ser um simples JAR, apenas para contextualizar.
Mas como seria feito o acesso a esses Microserviços? Para serviços consumidos diretamente por uma página WEB, uma API Web, no formato REST, seria uma boa escolha, no entanto a maior parte dos serviços de um sistema desenvolvido sobre uma Arquitetura de Microserviços só terão interação com outros serviços de backend. Imagine por exemplo uma função de cálculo extremamente complexa e composta por inúmeras etapas. Um primeiro serviço poderia receber a solicitação através de uma página web, via API Web, e então iniciar a primeira etapa do processo de cálculo. Ao concluir essa etapa, o Microserviço que a realizou publicaria o resultado e se colocaria novamente à disposição para o recebimento de outras solicitações. Nesse momento, um segundo Microserviço, responsável pela segunda etapa do cálculo, receberia o resultado publicado pelo primeiro Microserviço e executaria a segunda etapa usando o resultado do primeiro como insumo, por fim publicando o seu resultado para que possa ser usado por um eventual terceiro Microserviço, até que todo o processo de cálculo esteja concluído. Eventualmente a página WEB receberia uma resposta contendo o resultado do cálculo e notificaria o usuário.
Nesse momento chegamos a um ponto extremamente importante. A integração entre Microserviços é quase sempre assíncrona e desacoplada. Um Microserviço deve publicar seu resultado e esquecer dele. Alguém irá recuperá-lo em algum momento e fazer bom uso dele, mas o Microserviço não deve se preocupar com isso, ou aguardar um reconhecimento do Microserviço que porventura dará continuidade a seu trabalho. Microserviços são como aquele colega de trabalho que você um dia teve, que faz a sua parte do trabalho e diz um foda-se para o restante da equipe. E é isso que garante sua alta disponibilidade, sua robustez, e permite que ele seja facilmente substituído caso necessário.
Para alguns casos no entanto, como o caso do primeiro serviço desse nosso exemplo, que recebeu a solicitação da página WEB e deve devolver uma resposta a ela, pode ser necessário aguardar o término do processo por algum tempo, ou considerar que ele falhou. Ou pode-se também iniciar um outro serviço que terá como única função notificar a página WEB quando todo o processo tiver terminado, de modo que o primeiro serviço irá responder à página WEB de imediato, informando apenas que recebeu e encaminhou sua solicitação para que fosse processada. Em todo caso as características marcantes são a assincronia e o desacomplamento.
Okay, mas como realizar esse troca de mensagens entre esses malditos Microserviços? A resposta no meu caso foi o padrão publish-subscribe, implementado através de um Middleware de Mensageria, sobre o padrão AMQP.
Acredito que eu já tenha escrito demais por hoje. Se você chegou até aqui é porque se interessa pelo tema, e estou a disposição para falar mais sobre o assunto. Deixe suas dúvidas ou sugestões no campo de comentários abaixo que procurarei responder, diretamente ou em forma de um novo artigo.
* Atenção ao fato de que me refiro a funções dos Serviços de Aplicação, as quais possuem uma granularidade bastante grande. Modelar funções de Objetos ou Serviços de Domínio como Microserviços seria voltar aos tempos dos objetos distribuídos, e voltar a ter os problemas de desempenho característicos destes.
** E antes de dizer que não é isso que dizem os livros do Evans ou do Vernon, lembrem-se que padrões são guias, não religiões.
Artigos Recomendados:
https://rclayton.silvrback.com/failing-at-microservices
http://highscalability.com/blog/2014/4/8/microservices-not-a-free-lunch.html
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sexta-feira, 15 de agosto de 2014
terça-feira, 15 de abril de 2014
Módulos de Negócio vs Módulos de Infraestrutura
Módulos de Negócio versus Módulos de Infraestrutura. Essa é uma das discussões que me deixam mais empolgados quando o assunto é Arquitetura de Software. Mas antes de mais nada, uma breve revisão sobre o que são Módulos.
Um Módulo de Software pode ser visto como uma peça de software que implementa uma determinada especificação e realiza um determinado trabalho conforme especificado. Tais módulos podem ser compostos por um arquivo, uma classe, uma DLL, ou até mesmo um conjunto de DLLs, dentre outras possibilidades, desde que em conjunto esses artefatos implementem uma dada especificação e realizem um determinado trabalho conforme especificado.
Sempre que falamos em Módulos de Software, é comum alguém fazer a comparação com Módulos de Hardware, e gosto bastante dessa comparação. Um módulo de hardware, um componente eletrônico normalmente, pode ser facilmente substituído por um outro semelhante, desde que este outro implemente as mesmas especificações. Os demais módulos que interagem com aquele que for substituído se quer perceberão a mudança. E este seria o Santo Graal da modularização de software, poder simplesmente remover um módulo e substituí-lo por outro que implemente a mesma especificação, sem que os demais módulos reclamem da mudança.
Infelizmente isso ainda é uma realidade pouco comum. Arrisco dizer que a grande maioria das aplicações desenvolvidas no país, ainda que considerando apenas a pequena amostra a que tive acesso, são mal modularizadas e acabam mantendo um alto acoplamento entre seus módulos. E isso prejudica não apenas a possibilidade de fazer substituições de uma implementação por outra, algo que apesar de muito bonito não é tão necessário assim, mas também a definição das fronteiras do escopo de cada módulo, e é ai que está o grande prejuizo em modularizar mal uma aplicação.
De volta ao tema desta postagem, vamos supor que estamos trabalhando no desenvolvimento de um sistema em que há uma boa modularização, em que o papel de cada módulo está bem definido, o acoplamento está baixo e as fronteiras entre os módulos muito bem definidas.
Se tivermos essa realidade, será fácil identificar a separação entre Módulos de Negócio, aqueles que implementam exclusivamente funcionalidades específicas do negócio que está sendo automatizado pelo software, e Módulos de Infraestrutura, que implementam funcionalidades de suporte, drivers de acesso a bancos de dados ou sistemas de mensageria, ferramentas de log e auditoria, gerenciamento de usuários e tantas outras que estarão presentes, sem muita variação, em praticamente toda aplicação que viermos a desenvolver.
Módulos de Infraestrutura são componentes genéricos, reutilizáveis, que podem ter seu desenvolvimento e manutenção totalmente desacoplado dos sistemas que os utilizam. E ai está a grande vantagem em sermos capazes de fazer essa distinção. Quando baixamos um módulo como o Json.NET ou o FluentAssertions através do NuGet, recebemos uma peça de software pronta que apenas consumiremos. Por que não pode ser assim com os Módulos de Infraestrutura desenvolvidos pela própria equipe que consome esses módulos desenvolvidos por terceiros?
Pense que há na empresa em que você trabalha, e não há porque não haver caso você desenvolva aplicações .NET, um repositório NuGet privado, assim como uma política de Gestão de Reuso que defina que todo Módulo de Infraestrutura deva ser desenvolvido de modo independente das aplicações que os consomem, e que devam ser disponibilizados neste repositório uma vez que atinjam uma versão estável. Isso permitirá que esses módulos sejam utilizados pelas equipes de desenvolvimento da empresa, incluíndo as equipes que os desenvolveram, pois estas também deverão consumí-lo através do repositório NuGet, e não através de referências diretas a projetos da mesma solução.
Num cenário como este, teriamos uma solução limpa, composta apenas por Módulos de Negócio se referenciando entre si e consumindo, via NuGet, os Módulos de Infraestrutura que precisam.
Pensem nas possibilidades que um cenário como esse lhe proporcionaria. Pense em possibilidades como abrir alguns desses módulos como projetos Open Source, ganhando a contribuição de desenvolvedores de todo o mundo. Ou a vantagem de poder vender a seus clientes apenas o que realmente precisa e deve ser entregue exclusivamente a esses clientes: seus Módulos de Negócio. Afinal, se você pode consumir componentes de terceiros não relacionados ao negócio do seu cliente sem ter que fornecer a ele a propriedade sobre o código desses componentes, por que não poderia fazer o mesmo com o código dos Módulos de Infraestrutura que você mesmo desenvolve?
Por hoje era isso! Deixem suas opiniões nos comentários.
quinta-feira, 27 de março de 2014
Arquitetura de Microserviços e DDD
DDD já é velho conhecido de muitos desenvolvedores de software já há mais de 10 anos, no entanto o termo Microservices Architecture tem ganhado popularidade apenas recentemente.
Venho trabalhando em uma arquitetura de micro serviços, desenvolvida sobre o .NET Framework, já há quase 1 ano, desde antes da popularização do termo e até mesmo antes da publicação do Manifesto Reativo. No entanto, essa arquitetura tem se mantido desde o início bem aderente a esses dois conceitos.
Chamada aqui de Plataforma ST (nome real omitido), trata-se de uma arquitetura que permite que pequenos serviços de aplicação coexistam e se comuniquem entre si, de modo seguro, escalável e permitindo que novos serviços possam ser incluídos na plataforma a qualquer momento, complementando as funcionalidades já existentes. Note que não se trata de um único produto composto por múltiplos serviços relacionados, mas sim de uma plataforma de agregação de serviços. É possível haver uma instância da Plataforma ST agregando serviços de CRM, outra agregando serviços de ERP e outra para serviços de POS, cada uma dessas compondo um sistema distinto. Ainda assim, para cada uma delas, existe a possibilidade de se agregar novos serviços, incluindo alguns que sejam responsáveis exclusivamente pela interação entre esses diferentes sistemas.
Segundo as recomendações do DDD, módulos de um sistema, no nosso caso assemblies ou namespaces .NET, não devem conter no seu nome um nome de produto, mas sim a funcionalidade que ele provê, assim como devem conter como prefixo o nome da empresa que os desenvolveu. Assim, um módulo de gerenciamento de projetos ágeis desenvolvido pela empresa Contoso deveria ser nomeado com.contoso.agileprojectmanagement.applicationservice, de acordo com o que fora apresentado por Vaughn Vernon em Implementing Domain-Driven Design. No entanto, o padrão com.nomedaempresa se limita ao mundo Java, linguagem usada pelo autor para ilustrar o livro. Em projetos .NET, não há o costume de acrescentar o nome da empresa nos nomes dos módulos, e muito menos o prefixo com.
Ainda assim, poderíamos adaptar essa terminologia e nomear um dos nossos módulos de Contoso.AgileProjectManagement.ApplicationService, no entanto optei por usar ST.AgileProjectManagement.ApplicationService, e posso justificar essa decisão.
A Plataforma ST requer que os serviços desenvolvidos para executar sobre ela sigam um determinado padrão. Há uma classe abstrata ou no minimo uma interface que precisa ser implementada por todos os serviços, além disso eles precisam ser desenvolvidos levando em consideração o modo como a Plataforma ST irá gerir seu ciclo de vida. E mais, a Plataforma ST não é uma bala de prata, obviamente. Há cenários em que o mais interessante seja usar uma outra plataforma, ou desenvolver o sistema diretamente sobre o .NET Framework, já descartando os casos em que o próprio .NET Framework não seja a melhor opção.
Imagine por exemplo que seja desenvolvido na mesma empresa um sistema de colaboração, uma espécie de Wiki, que se adere aos padrões DDD mas não se encaixa na Plataforma ST. Esse sistema será desenvolvido de modo completamente independente dela, seus módulos serão totalmente incompatíveis. Agora seguindo a recomendação de usar o nome da empresa para determinar o nome dos módulos, teríamos algo como Contoso.Collaboration.ApplicationService, algo muito semelhante aos módulos dos sistemas desenvolvidos sobre a Plataforma ST, mas sem relação alguma com ela.
Por que não usar então Contoso.ST.AgileProjectManagement.ApplicationService? Ai vem um ponto em que discordo da recomendação do Vernon. Usar o nome da empresa, de qualquer modo que seja, na nomenclatura dos módulos, pode ser ruim e prefiro usar em seu lugar não o nome comercial de um serviço, o que concordo não ser recomendável, mas manter o módulo nomeado conforme sua função e prefixá-lo com um nome de projeto ao invés do nome da empresa. Seria algo que identifica todos os módulos que possuem algo em comum e cumpre a mesma função do nome da empresa na recomendação do livro.
Mas por que isso? Já trabalhei em uma empresa que mudou de nome, e via produtos legados com o nome antigo por todos os lados. Há casos de fusões e aquisições, em que o nome do proprietário do produto muda, e mesmo havendo motivações para manter o nome do desenvolvedor original mesmo que ele não exista mais, há o risco de novos módulos que integrem a mesma aplicação passarem a ser nomeados conforme o novo nome da empresa, o que geraria uma combinação de nomes de módulos não muito interessante.
Enfim, era isso que gostaria de compartilhar aqui e gostaria de ouvir a opinião de quem trabalha com DDD e já teve que passar por situações semelhantes às que descrevi. O que vocês tem a dizer?
Venho trabalhando em uma arquitetura de micro serviços, desenvolvida sobre o .NET Framework, já há quase 1 ano, desde antes da popularização do termo e até mesmo antes da publicação do Manifesto Reativo. No entanto, essa arquitetura tem se mantido desde o início bem aderente a esses dois conceitos.
Chamada aqui de Plataforma ST (nome real omitido), trata-se de uma arquitetura que permite que pequenos serviços de aplicação coexistam e se comuniquem entre si, de modo seguro, escalável e permitindo que novos serviços possam ser incluídos na plataforma a qualquer momento, complementando as funcionalidades já existentes. Note que não se trata de um único produto composto por múltiplos serviços relacionados, mas sim de uma plataforma de agregação de serviços. É possível haver uma instância da Plataforma ST agregando serviços de CRM, outra agregando serviços de ERP e outra para serviços de POS, cada uma dessas compondo um sistema distinto. Ainda assim, para cada uma delas, existe a possibilidade de se agregar novos serviços, incluindo alguns que sejam responsáveis exclusivamente pela interação entre esses diferentes sistemas.
Segundo as recomendações do DDD, módulos de um sistema, no nosso caso assemblies ou namespaces .NET, não devem conter no seu nome um nome de produto, mas sim a funcionalidade que ele provê, assim como devem conter como prefixo o nome da empresa que os desenvolveu. Assim, um módulo de gerenciamento de projetos ágeis desenvolvido pela empresa Contoso deveria ser nomeado com.contoso.agileprojectmanagement.applicationservice, de acordo com o que fora apresentado por Vaughn Vernon em Implementing Domain-Driven Design. No entanto, o padrão com.nomedaempresa se limita ao mundo Java, linguagem usada pelo autor para ilustrar o livro. Em projetos .NET, não há o costume de acrescentar o nome da empresa nos nomes dos módulos, e muito menos o prefixo com.
Ainda assim, poderíamos adaptar essa terminologia e nomear um dos nossos módulos de Contoso.AgileProjectManagement.ApplicationService, no entanto optei por usar ST.AgileProjectManagement.ApplicationService, e posso justificar essa decisão.
A Plataforma ST requer que os serviços desenvolvidos para executar sobre ela sigam um determinado padrão. Há uma classe abstrata ou no minimo uma interface que precisa ser implementada por todos os serviços, além disso eles precisam ser desenvolvidos levando em consideração o modo como a Plataforma ST irá gerir seu ciclo de vida. E mais, a Plataforma ST não é uma bala de prata, obviamente. Há cenários em que o mais interessante seja usar uma outra plataforma, ou desenvolver o sistema diretamente sobre o .NET Framework, já descartando os casos em que o próprio .NET Framework não seja a melhor opção.
Imagine por exemplo que seja desenvolvido na mesma empresa um sistema de colaboração, uma espécie de Wiki, que se adere aos padrões DDD mas não se encaixa na Plataforma ST. Esse sistema será desenvolvido de modo completamente independente dela, seus módulos serão totalmente incompatíveis. Agora seguindo a recomendação de usar o nome da empresa para determinar o nome dos módulos, teríamos algo como Contoso.Collaboration.ApplicationService, algo muito semelhante aos módulos dos sistemas desenvolvidos sobre a Plataforma ST, mas sem relação alguma com ela.
Por que não usar então Contoso.ST.AgileProjectManagement.ApplicationService? Ai vem um ponto em que discordo da recomendação do Vernon. Usar o nome da empresa, de qualquer modo que seja, na nomenclatura dos módulos, pode ser ruim e prefiro usar em seu lugar não o nome comercial de um serviço, o que concordo não ser recomendável, mas manter o módulo nomeado conforme sua função e prefixá-lo com um nome de projeto ao invés do nome da empresa. Seria algo que identifica todos os módulos que possuem algo em comum e cumpre a mesma função do nome da empresa na recomendação do livro.
Mas por que isso? Já trabalhei em uma empresa que mudou de nome, e via produtos legados com o nome antigo por todos os lados. Há casos de fusões e aquisições, em que o nome do proprietário do produto muda, e mesmo havendo motivações para manter o nome do desenvolvedor original mesmo que ele não exista mais, há o risco de novos módulos que integrem a mesma aplicação passarem a ser nomeados conforme o novo nome da empresa, o que geraria uma combinação de nomes de módulos não muito interessante.
Enfim, era isso que gostaria de compartilhar aqui e gostaria de ouvir a opinião de quem trabalha com DDD e já teve que passar por situações semelhantes às que descrevi. O que vocês tem a dizer?
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