quinta-feira, 7 de março de 2013

Pragmatismo e TDD

Anteontem, 05 de Março de 2013, Uncle Bob Martin, um dos principais defensores do desenvolvimento guiado por testes (TDD), fez uma crítica ao modo como são vistas as startups, jovens empresas que se aventuram, ousam, e se arriscam na busca do sucesso através da criação de softwares inovadores. 

Como resposta, alguns leitores tacharam o autor de ser muito dogmático a respeito da prática de TDD. E quem o conhece sabe que há alguma verdade nisso.

No dia seguinte, Uncle Bob publicou uma resposta onde apresentou o seu ponto de vista com relação ao pragmatismo vs dogmatismo no que se refere à prática de TDD, apontando situações em que ele é pragmático e não utiliza a técnica.

Segue abaixo, traduzido para nosso idioma:
Então, quando eu não pratico TDD?
  • Não escrevo testes para getters e setters. Fazer isso normalmente é besteira. Tais getters e setters serão indiretamente testados por testes de outros métodos; então não há porquê testá-los diretamente.
  • Não escrevo testes para variáveis membros. Elas também serão testadas indiretamente.
  • Não escrevo testes para funções de uma só linha ou funções que são obviamente triviais. Novamente, elas serão testadas indiretamente.
  • Não escrevo testes para GUIs. GUIs necessitam ajustes. Você tem que acertá-las no lugar alterando tamanho de fonte aqui, valores RGB ali, uma posição XY aqui, a largura de um campo ali. Fazer isso com testes primeiro é estupidez e perda de tempo.
    • No entanto, me certifico que qualquer processamento relevante no código da GUI seja removido para módulos que sejam testáveis. Não permito que código relevante passe sem testes. Portanto meus códigos de GUI são pouco mais que colas e fios que enfiam os dados no seu lugar na tela (Veja artigos sobre MVVM e Model View Presenter).
  • Em geral não escrevo testes para nenhum código que eu tenha que ajustar no lugar por tentativa e erro. Mas separo o código "ajustável" do código que estou mais certo de que escreverei testes.
    • Ocasionalmente, ajusto código no lugar e então escrevo os testes posteriormente.
    • Também ocasionalmente removo código "ajustado" e o reescrevo com testes primeiro.
    • Qual abordagem escolher é uma questão de julgamento.
  • Alguns meses atrás escrevi um programa inteiro de 100 linhas sem nenhum teste.
    • O programa era para uma única execução. Seria usado uma vez e então descartado. (Era para um efeito especial em um de meus vídeos).
    • O programa era todo relacionado à tela. Em essência, era um aplicativo GUI puro. Sendo assim eu tive que ajustar a coisa toda no lugar.
    • Escrevi em Clojure, e portanto tinha REPL! Pude executar o programa à medida em que crescia a partir da REPL, e pude ver os resultados de cada linha de código que escrevia instantaneamente. Isso não era TDD, isso era EDD (Eye Driven Development).
  • Normalmente não escrevo testes para frameworks, bancos de dados, web-servers, ou outra ferramenta de terceiros que supõe-se funciona. Crio mocks para essas coisas e testo o meu código, não o deles.
    • Claro que as vezes testo códigos de terceiros se:
      • Acredito que tenha defeitos.
      • Os resultados são rápidos e previsíveis o bastante a ponto de criar um mock ser um exagero.
Não é tudo dogma.
Essa lista não está completa. Estou certo de que pensarei em outras vezes que não escrevi testes; mas o espirito dessa lista deve estar evidente. Pragmatismo entra em jogo quando fazemos TDD. Não é apenas dogma.
Entretanto, respeito o dogma; há uma razão para isso. Pragmatismo pode as vezes se sobresair; mas: Não escreverei nenhum código de produção relevante sem fazer todo esforço para usar TDD.
Uncle Bob Martin


2 comentários:

  1. Foi bastante esclarecedor esse post, me ajudou a definir o que testar e o que não testar. Valeu!

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